Já reparou o quanto estamos fazendo escolhas, consciente e inconscientemente, a todo momento? No momento de escolher se levantar, de imediato, quando o relógio desperta ou permanecer deitado, nem que seja ‘só mais cinco minutinhos’ até o momento do cair da noite e bocejamos dizendo que ‘vamos para a cama’ estamos fazendo escolhas.
Fazer uma escolha implica abrir mão de todas as outras, mesmo que possa existir alternativas de negociação, esta negociação, por mais simples que pareça, acarreta na transformação de duas ou mais outras escolhas deixadas de lado.
Um exemplo simples: você pode escolher não tomar mais café adoçado com açúcar. Entretanto, tomar o café sem a iguaria não o satisfaz, então uma série de outras alternativas são buscadas e encontra-se uma opção de adoçar este café.
Para muitos, fazer escolhas, das mais simples às mais complexas, torna-se um tormento, um sofrimento psíquico que pode até paralisá-los. Escolher a opção A significa assassinar as opções B, C e todas as outras. Freud nos revela que toda escolha é fundamentalmente um luto.
Ao não escolher, se mantém, na fantasia, todas as portas abertas. O problema é que, ao se recusar a fechar uma porta, permanece parado no corredor, onde a vida não acontece.
Além disso, a dificuldade de fazer escolhas não reside apenas no que se perde, mas na prestação de contas internas. Vive-se sob a vigilância moral e crítica extremamente severa.
No fundo, muitas vezes, essa busca pela garantia total é uma ilusão infantil que busca uma autorização externa simbólica que diga: “Pode ir por aqui, eu me responsabilizo por você”.
Escolher é um ato de coragem. É o momento em que saímos da condição de espectadores dos nossos sintomas para tentar nos tornar um pouco mais autores da nossa própria história.
Se a dúvida te paralisa, muitas vezes a resposta não está na opção que você escolher, mas na sua capacidade de sustentar as consequências da sua própria vontade.